Mais de 100 dias de internação, uma parada cardíaca e um longo caminho de recuperação. Essa foi a trajetória enfrentada pelo professor Ilton S. P., morador de São Félix do Araguaia, a 1.028 quilômetros de Cuiabá, que precisou reaprender a falar, alimentar-se e caminhar após um quadro clínico grave. Atendido entre abril e agosto no Hospital Central de Alta Complexidade de Mato Grosso, ele recebeu assistência de diferentes especialidades médicas e profissionais de saúde, em um processo que envolveu investigação diagnóstica, tratamento e reabilitação.

A chegada à unidade hospitalar foi marcada por comprometimentos respiratórios e funcionais que exigiram internação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Diante da persistência das alterações respiratórias, a equipe médica iniciou uma investigação para identificar as causas do quadro. A complexidade do caso demandou avaliações conjuntas de especialistas até a identificação da apneia do sono, condição que orientou a definição da terapêutica adequada e o acompanhamento clínico.

A condução do tratamento envolveu neurologista, pneumologista, cirurgião torácico e médicos da clínica geral, além de fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas e psicólogos. As equipes realizavam reuniões multidisciplinares semanais para avaliar a evolução do paciente e discutir as estratégias assistenciais. Segundo a médica clínica Giovanna Pinto, integrante da junta responsável pelo acompanhamento, o caso exigia análises aprofundadas e decisões compartilhadas entre os profissionais.

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O período prolongado de hospitalização também foi marcado pela sarcopenia, caracterizada pela perda de massa e força muscular, que comprometeu a capacidade de locomoção. A fisioterapia teve papel fundamental na recuperação dos movimentos e na retomada da caminhada. Em razão do uso de traqueostomia e sonda nasoenteral, Ilton também precisou passar por um processo de reabilitação para recuperar a fala e a alimentação por via oral. O acompanhamento psicológico integrou o tratamento, considerando que ele já enfrentava um quadro de depressão antes da internação.

Ao receber alta hospitalar, o professor passou a utilizar o BiPAP, equipamento que fornece suporte ventilatório por meio de uma máscara, auxiliando a respiração. Ao avaliar os meses de tratamento, ele destacou o acolhimento recebido por todos os profissionais da unidade, independentemente da função exercida. “Minha confiança e respeito por toda equipe nesses meses me deram vontade de lutar para me recuperar”, relatou. Como reconhecimento pela resistência demonstrada durante a internação, recebeu da equipe hospitalar um atestado de bravura.

A recuperação de Ilton representa um dos casos acompanhados pelo Hospital Central, unidade do Governo de Mato Grosso administrada pelo Einstein Hospital Israelita. De acordo com a diretora Alessandra Bokor, a estrutura foi concebida para atender pacientes que necessitam de assistência especializada e recursos de alta tecnologia, integrando diferentes níveis de atendimento da rede estadual. Em setembro, segundo mês de funcionamento pleno após a implantação gradual dos serviços, a ocupação geral chegou a 75,78%. Na UTI adulta, o índice foi de 91,9%; na pediátrica, 88,6%; e nos leitos de enfermaria, 73,7%.

O volume de internações evidencia a dimensão da assistência hospitalar no país e em Mato Grosso. Em 2025, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 14.454.323 internações hospitalares no Brasil, das quais aproximadamente 1.300.000 (9%) foram classificadas como de alta complexidade. Em Mato Grosso, levantamento da Secretaria de Estado de Saúde, com dados de janeiro de 2020 a abril de 2025, identificou 1.110.317 internações de média e alta complexidade, sendo aproximadamente 1.095.000 (98,7%) de residentes no próprio estado. Os números reforçam a importância da estrutura hospitalar especializada e da atuação integrada das equipes na assistência à população.

FONTE/CRÉDITOS: Lucy Matos